17 dez A evolução do mal de Alzheimer para a Medicina
Em novembro de 1906, durante o 37º Congresso do Sudoeste da Alemanha de Psiquiatria, na cidade de Tubingen, o neuropatologista alemão Alois Alzheimer chamou a atenção dos participantes para uma patologia neurológica inédita, caracterizada por um tipo de demência e cujos sintomas eram déficit de memória, alterações de comportamento e incapacidade para a realização de atividades rotineiras. Em sua Conferência Sobre Uma Enfermidade Específica do Córtex Cerebral, ele descreveu as limitações da senhora August, que havia sido internada há cinco anos no Sanatório Municipal para Dementes e Epiléticos, na cidade de Frankfurt, onde ele trabalhava. Mais tarde, com a morte de sua paciente aos 55 anos, Dr. Alzheimer também relatou achados na autópsia do cérebro que ajudariam a comprovar suas observações (eram as placas senis ou, como diriam os médicos dessa geração, acúmulos da proteína beta-amilóide). Então, em 1910, a doença seria registrada no Manual de Psiquiatria com o nome de mal de Alzheimer – uma forma de homenagear o médico alemão. Três anos depois, com 51 anos, ele faleceria por conseqüência de uma insuficiência renal.
Desde então, demorou muito para que os pesquisadores ficassem interessados em responder às várias questões que Alois Alzheimer havia deixado sem solução. Talvez por isso, inclusive, praticamente um século depois, a causa e a cura dessa doença que destrói os neurônios progressivamente ainda não sejam conhecidas. O que parece um ‘descaso’ da ciência, no entanto, tem uma boa explicação. Assim como ocorreu com o médico alemão e sua paciente, boa parte da população naquela época e até algumas décadas atrás morria antes mesmo de completar 60 anos, ou seja, poucos viviam o suficiente para manifestar a demência.
Atualmente, graças ao crescimento da expectativa de vida populacional e à evolução da medicina, especialmente na era do Projeto Genoma, sabe-se que o mal de Alzheimer atinge em cheio a terceira idade – chegando a 3% dos indivíduos na faixa dos 65 anos e 40% daqueles com mais de 85 anos, o que significa dizer que são cerca de duas vítimas a cada cinco octagenários.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), existem 18 milhões de pessoas no mundo sofrendo com algum tipo de demência, sendo a maioria Alzheimer e até 2050 este número poderá ultrapassar os 30 milhões.
A boa notícia é que nunca se falou tanto sobre o distúrbio. Entidades de apoio a pacientes e familiares tem se empenhado em conscientizar a população para a importância do diagnóstico precoce e de um acompanhamento adequado durante o tratamento. Paralelamente, pesquisas em todas as partes do mundo estão empenhadas na busca por terapias e remédios mais eficazes para amenizar ou, quem sabe um dia, barrar os efeitos do mal. No Brasil, por exemplo, foi realizada no final de novembro, em Ribeirão Preto (SP), a V Reunião de Pesquisadores da Doença de Alzheimer e Transtornos Relacionados. Entre outros temas, os participantes discutiram a possibilidade de se aplicar testes simples, com perguntas consensuais sobre os sintomas, para diagnosticar de maneira mais correta e rápida novos portadores. “Mais um recurso que ajudaria muito tendo em vista uma provável epidemia da doença em um futuro próximo”, explica o médico Paulo Henrique Bertolucci, chefe do Setor de Neurologia do Comportamento da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), responsável pela metodologia apresentada.
Fonte: http://revistavivasaude.uol.com.br/saude-nutricao/0/artigo12552-1.asp