FIBROMIALGIA NA POPULAÇÃO IDOSA

FIBROMIALGIA NA POPULAÇÃO IDOSA

 

O envelhecimento populacional é um fenômeno mundial que acontece a nível sem precedentes. Somente no Brasil, a população idosa deverá dobrar nas próximas duas décadas, podendo chegar a 30 milhões de indivíduos, e tal fato vem seguido pelo crescimento na frequência de casos associados a queixas dolorosas. A dor, por sua grande predominância e consequência, é considerada hoje um importante problema de saúde pública. Os idosos são particularmente mais vulneráveis às dores crônicas, que acabam por colaborar para declínios funcionais e, também, piores indicadores de qualidade de vida.

O envelhecimento coresponde uma etapa do desenvolvimento individual, que relacionado a fatores externos e internos, como deficiência nutricional, mudanças endócrinas, ausência regular de atividade física e hereditariedade, podem levar ao surgimento de doenças proporcionando alterações posturais, déficits na marcha, redução da força muscular, diminuição da capacidade de respiratória, dentre outras alterações que na maioria das vezes limitam a mobilidade corporal e relacionados a quadros patológicos levam ao aparecimento do quadro álgico. (AGUIAR et al, 2006). As doenças músculo-esqueléticos na terceira idade são de ordem acumulativa, muitas vezes de natureza fisiológico ou relacionados á afecções reumáticas degenerativas ou traumato-ortopédicas que se apresentam por dores crônicas, disfunção articular e contraturas musculares, restringindo progressivamente as atividades físicas diárias. no idoso a forma mais expressiva da dor é a crônica. Esta vem como fator limitante de funções, aumentando a agitação, o risco de estresse emocional e de mortalidade, afetando parte do corpo ou regiões, limitando o funcionamento físico muitas vezes já debilitado nos idosos. (FALCAO e NATOUR, 2002)

A fibromialgia pode ser definida como uma síndrome de amplificação dolorosa crônica, caracterizada por dor difusa pelo corpo. Em mais de 80% dos pacientes a dor vem acompanhada de fadiga e de distúrbios do sono, e em grande porcentagem dos casos, coexistem a cefaleia, cólon irritável e alterações do humor como ansiedade e depressão.

A dor crônica e difusa é o sintoma principal da fibromialgia. Sua intensidade varia de moderada a severa, frequentemente tem início localizado, particularmente no pescoço, ombros, região lombar e bacia, e posteriormente torna-se generalizada. Geralmente os pacientes têm dificuldade de localizar o ponto exato da dor, ou se ela é articular ou não. Os pacientes descrevem-na como uma dor constante com características de queimação, agulhadas, pontadas, pruridos ou picadas.

 

Não existe ainda uma causa definida, mas há algumas pistas de porque as pessoas têm Fibromialgia. Os estudos mostram que os pacientes apresentam uma sensibilidade maior à dor do que pessoas sem Fibromialgia. Na verdade, seria como se o cérebro das pessoas com Fibromialgia interpretasse de forma exagerada os estímulos, ativando todo o sistema nervoso para fazer a pessoa sentir mais dor.

A Fibromialgia também pode aparecer depois de eventos graves na vida de uma pessoa, como um trauma físico, psicológico ou mesmo uma infecção grave. O mais comum é que o quadro comece com uma dor localizada crônica, que progride para envolver todo o corpo. O motivo pelo qual algumas pessoas desenvolvem Fibromialgia e outras não ainda é desconhecido. O que não se discute é se a dor do paciente é real. Hoje, com técnicas de pesquisa que permitem ver o cérebro em funcionamento em tempo real, descobriu-se que pacientes com Fibromialgia realmente estão sentindo a dor que dizem sentir. Mas é uma dor diferente, em que não há lesão no corpo, e, mesmo assim, a pessoa sente dor. Mesmo não sabendo a causa exata, sabemos que algumas situações provocam piora das dores em quem tem Fibromialgia. Alguns exemplos são: excesso de esforço físico, estresse emocional, alguma infecção, exposição ao frio, sono ruim ou trauma.

A Fibromialgia afeta , aproximadamente, oito vezes mais mulheres do que homens, causando impacto negativo sobre a qualidade de vida e atividades da vida diária dos seus portadores.

O tratamento não depende única e exclusivamente de medicamentos, e necessita da cooperação ativa do paciente. A atividade física é certamente uma das modalidades terapêuticas mais eficazes para o tratamento da fibromialgia.  É muito importante que o paciente não ultrapasse sua capacidade de realizar a atividade física a que se propôs, pois caso isso ocorra o exercício se tornará cansativo e complicará sobremaneira suas queixas dolorosas e de fadiga. Em geral, uma caminhada, ao passo normal do paciente, durante 30 minutos todos os dias propicia efeitos terapêuticos encorajadores.

A utilização de medicamentos é feita com o objetivo de controlar a dor e os demais sintomas. A escolha do medicamento a ser utilizado dependerá principalmente do conjunto de sintomas apresentado pelo paciente. É importante ressaltar que uma soma grande de pacientes necessita de mais de um medicamento para o controle de seus sintomas.

O tratamento farmacológico deve ser iniciado com muito cuidado e deve obedecer alguns princípios. Deve ser individualizado, utilizando-se doses iniciais baixas e aumentadas aos poucos pois os pacientes apresentam predisposição a efeitos colaterais. O objetivo do tratamento medicamentoso é a recuperação da função e da qualidade de vida do paciente. Frequentemente ocorre o uso de mais de uma medicação.

 

 

Rosângela Sousa

Enfermeira Assistencial- Casa de Repouso Coqueiros

COREN/SC 461333